Pensamentos complexos, atitudes medíocres

24/04/2012 13:53

 

Colunista: Ivan Postigo  |  Publicado em: 11/04/2012

Idéias, planos, projetos, lindamente preparados, pessimamente implementados.

Você tem um exemplo? Mande para mim!

Todos nós temos nossos “causos” para contar quando se trata do fracasso das boas idéias.

Ainda garoto, montamos um belo time de futebol, fazia sucesso na cidade. Resolvemos disputar um campeonato regional. Nunca apanhamos tanto!

Onde erramos? Não tínhamos o menor preparo físico. Ficamos cansados só de ver os adversários correndo.

Jovens, nos faltou orientação e experiência!

Meu amigo Antonio resolveu construir, em uma cidade do interior, uma casa de pedra. O projeto é maravilhoso, a casa construída também.

Ora, qual o problema?

Rachou inteira. A estrutura que se fez necessária para que não desabasse tirou um pouco do brilho do projeto, prejudicou a estética, e pior, ficou muito cara.

Cheio de idéias, nunca tinha construído nada, sequer procurou ajuda.

Em uma empresa, nosso problema era controlar os estoques e usar os dados no fechamento mensal da contabilidade. Pedro, um gênio em planilhas eletrônicas, com comandos tipo “ProcH”, “ProcV”, macros, criou uma obra-prima: “O monstro do risca prato”.

Calma, vou explicar.

Monstro porque a planilha era genial na sua concepção, mas dava tantos erros, e demandava tanto tempo para acertos, que não sabíamos se era melhor tê-la ou deletá-la.

E por que risca prato?

Pedro desenvolveu esse trabalho coletando as necessidades na hora do almoço. Nesse período tínhamos um pouco mais de tempo para conversar sobre a complexidade do processo e, ainda, queríamos fazer uma surpresa para nossas gerencias.

Acontece que, de vez em quando, almoçávamos em um restaurante que servia um bife à parmegiana delicioso, mas por alguma razão, que nunca descobrimos, a área era infestada de moscas.

Como as pessoas estavam se abanando o tempo todo, brincávamos: Era um risco no prato para cortar o bife e um tapa na mosca para espantá-la.

Resumindo, a boa idéia do Pedro foi abandonada. Ele sabia como fazer, mas nunca entendeu muito bem para que aquilo servia.

João, um sitiante, como o tratávamos, com o dinheirinho que ganhou comprou uma área maior, por onde passava um pequeno córrego.

Aquela visão imediatamente fez com luzes se acedessem em seu cérebro. Uma represa, peixes, família reunida pescando...

João conversou com os vizinhos, não encontrou oposição e como um castor começou a trabalhar. Em pouco tempo tinha uma bela área inundada e cheia de alevinos.

Nosso amigo João perguntou a alguém como se faz uma represa? Infelizmente não.

A região foi atingida por um volume de chuvas como poucas vezes alguém se lembrava. O resultado para João foi desastroso.

Rompimento da represa, perda dos alevinos, sonhos levados pela correnteza, felizmente sem outros danos.

Quer um exemplo industrial?

O gerente de uma confecção, cuja mania era fazer tudo na última hora, resolveu em época de copa do mundo fabricar camisas com as cores da nossa bandeira.

Enquanto a equipe desenhava modelos com os mais sofisticados recortes saiu em busca do tecido.

Desenha, corta, costura, passa, na última badalada os produtos estavam prontos e foram despachados para os revendedores.

Não demorou muito para que as devoluções em massa acontecessem.

Sem testes e experimentações o tecido encolhia em cada fase do processo e o decote não passava na cabeça dos compradores.

Uma bela idéia “detonada” por falta de atenção e coerência. Depois de vinte anos no setor não é possível aceitar um erro tão primário. Foi o que ocorreu.

Muitos clientes deixaram de comprar da empresa.

Nunca é demais lembrar que o segredo do sucesso não está em criar estratégias, mas em executá-las.

Não adianta termos pensamentos complexos se nossas atitudes são medíocres.